Eu nunca gostei de ser crítico apenas por criticar. Por norma, quando falo mal de alguma coisa, tendo sugerir uma solução, ou então dou uma rega de ironia à minha perspectiva de um acontecimento. Mas infelizmente neste caso, não sei o que fazer!
No dia que fui fazer a inscrição da faculdade, fui discriminado. O mais impressionante, é onde e como, fui descriminado. O local, uma instituição portuguesa, em território nacional. Mas ainda mais importante, uma instituição de ensino superior. E como conseguiram eles esta proeza? Acontece que, antes de eu entregar a papelada da inscrição da faculdade, uma outra rapariga, de origem africana, estava à minha frente. Ela perguntou à pessoa da secretaria, quanto era a inscrição. O senhor da secretaria deu um valor, que era igual para mim também. Logo nem liguei.Nada de estranho, pensei. Mas eis que me deparo com esta situação:
"- Não, não! A sua colega disse que eu tinha desconto! Sou angolana"
Ao qual eu pensei de imediato - "ya! deves...". E eis que, não é que a moça teve um desconto?
Pois bem! Eu, antes de me inscrever, tive uns bons 20 minutos ao telemóvel, a tentar fazer o mesmo que ela. "Sacar" um desconto, possibilidades de uma bolsa de estudo, qualquer coisa! Mas sem sucesso. Para continuar a estudar, não tenho qualquer tipo de ajuda financeira.
Naquele momento, podem crer que me senti descriminado! Sou português, fiz o serviço militar, desconto para o IRS e segurança social desde dos 19 anos, pago uma casa ao banco, tenciono ser trabalhador-estudante, e não tenho nem 1 euro de ajuda para continuar a estudar. Mas as mocita, só por ser angolana levou com 50% de desconto. Nada contra a rapariga, está claro. Mas contra o disparate de toda esta situação. E sim... Sinto-me descriminado na minha própria pátria!
Mas bem... lá engoli, e espero ter, no mínimo, o retorno do meu esforço. Apenas isso.
Mas eis que agora começo a ler nos jornais, coisas destes género:
"Ainda esta semana, um elemento da comunidade cigana que usufrui do Rendimento Social de Inserção queixava-se à imprensa de ter visto a sua casa assaltada. "Até o [televisor de] plasma levaram" lamentava." in Correio da Manhã
Ok... roubaram o senhor, mas... PLASMA!? um gajo com o rendimento mínimo tem um plasma?! Já não bastou a lata desta malta, em exigir uma casa, com rendas simbólicas, e ainda tenho que aturar a história do plasma...!?
Pois bem, sendo assim, guardo para mim o direito de pedir uma casa na minha cidade! Quero voltar a viver na cidade onde nasci. Quero voltar para o centro de Lisboa. Visto isto, é do meu direito de nascença, voltar à minha cidade, bem no centro. A razão desta situação, é que fui arrastado para os arredores, por questões puramente financeiras. Logo se estes senhores têm uma casa com plasma, eu, que sou contribuinte, quero uma casa no centro de Lisboa. Não preciso de nenhum plasma. A minha TV a cores vulgar, que demora algum tempo a mostrar imagem, com antena emprestada, serve-me muito bem. Só preciso mesmo da casa!
Fico triste, a sério que fico triste. Fico triste em ver que o único cantinho do planeta que tinha-mos alguma esperança em estar bem, e nos sentir-mos casa, nos trata tão mal. Questiono-me se como imigrante numa casa emprestada, que não o meu Portugal, se não seria, tão mais bem tratado.
O Estado goza na cara com os contribuintes. Mas a culpa não é dele... A culpa é de que coloca as pessoas no Estado. A culpa é nossa!
O que fazer? Não faço ideia.... Outro 25 de Abril?
24 Julho 2008
Dê-me um desconto... e já agora, uma casa!
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